segunda-feira, 9 de julho de 2012

O 'TURNING POINT' DO ESTADO NOVO


Manifestação da UNE em 1942 pela entrada do Brasil na guerra

Há 70 anos a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas fazia uma inflexão fundamental, com o afastamento de Filinto Müller da chefia da Polícia do Distrito Federal – na verdade, polícia política – e de outros simpatizantes do nazi-fascismo no governo, como o ministro da Justiça, Francisco Campos, e o chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), Lourival Fontes. Mas um desses germanófilos – o general Eurico Gaspar Dutra – permaneceu no poder e acabaria sendo eleito presidente da República em 1946.

A queda dessa ala ocorreu depois de uma passeata promovida pela União Nacional dos Estudantes (UNE) em 4 de julho de 1942, aniversário da independência dos Estados Unidos, em apoio à entrada do Brasil na guerra contra a Alemanha nazista. Entre 1941 e 1944 submarinos alemães afundaram 33 navios mercantes brasileiros, matando mais de mil pessoas; os americanos entraram na guerra contra o Eixo em dezembro de 1941, depois do ataque do Japão à base de Pearl Harbour, e pressionavam o Brasil para romper com os alemães. Müller queria proibir a passeata e travou uma violenta discussão com Vasco Leitão da Cunha, ministro da Justiça interino, que chegou a ordenar a prisão do chefe de polícia. Mas a passeata foi autorizada pela ala americanófila do governo, liderada pelo chanceler Oswaldo Aranha e pelo interventor no Rio, Amaral Peixoto,

Artilheiros da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália
Com os germanófilos fora do governo, o Brasil declarou guerra à Alemanha em agosto de 1942. Dois anos depois, uma força expedicionária de 25 mil homens desembarcava na Itália para lutar contra os nazistas integrando o V Exército americano. Tidos como despreparados pelos americanos, os soldados brasileiros se revelaram valentes e venceram os alemães em batalhas importantes como Monte Castelo e Montese. O Brasil foi o único país latino-americano a enviar tropas contra o nazi-fascismo.

Filinto Müller, chefe de polícia no Estado Novo e líder do governo Médici
Fiéis às suas convicções reacionárias, os germanófilos serviriam à ditadura seguinte, a dos militares. Filinto Müller – o homem que transformou a tortura e a repressão policial em método e foi o responsável pela deportação de Olga Benário Prestes para a Alemanha – foi presidente da Arena, o partido de sustentação do regime, e presidente do Congresso. Já Francisco Campos, que havia redigido a Constituição do Estado Novo – conhecida como “polaca” –, ajudou os militares a redigir os dois primeiros Atos Institucionais. Quem sai aos seus não degenera, diz o dito popular.   

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