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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A PRIMAVERA DOS POVOS - ONTEM, COMO HOJE


Tomada da Bastilha, 14 de julho de 1789
"O que se passou nessa curta noite, em que ninguém dormiu, para que de manhã, desaparecendo com a sombra todo dissentimento, toda incerteza, eles tivesses os mesmos pensamentos?
Sabe-se o que se fez no Palais-Royal, na prefeitura; mas o que se passou no lar do povo, aí está o que seria preciso saber.

Aí, no entanto, adivinha-se por aquilo que se seguiu, aí cada um fez no coração o juízo final do passado, cada um, antes de atacar, condenou-o sem retorno... A história voltou naquela noite, uma longa história de sofrimentos, no instinto vingador do povo. A alma dos pais que, por tantos séculos, sofreram, morreram em silêncio voltou nos filhos e falou. 

Homens fortes, homens pacientes, até ali tão pacíficos, que devíeis desferir nesse dia o grande golpe da Providência, a visão de vossas famílias, sem outro recurso além de vós, não amoleceu vosso coração. Longe disso, olhando mais uma vez vossos filhos adormecidos, esses filhos cujo destino ia ser feito nesse dia, vosso pensamento engrandecido abraçou as livres gerações que sairiam de seu berço, e sentiu nessa jornada todo o combate do futuro!...
Manifestações contra a ditadura na Líbia

O futuro e o passado davam ambos a mesma resposta; ambos disseram: 'Vai...'

E o que está fora do tempo, fora do futuro e fora do passado, o imutável direito, dizia o também. O imortal sentimento do justo deu uma base de bronze ao coração agitado do homem, disse-lhe: 'Vai tranquilo, o que importa? O que quer que te aconteça, morto, vencedor, estou contigo!'"
Jules Michelet, A Queda da Bastilha, in História da Revolução Francesa 


   

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